O desafio de observar, registrar e compartilhar a historicidade nas organizações

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Reflexões,Teorias | sábado, agosto 6th, 2016

Este texto, aqui reproduzido em parte, foi publicado originalmente como prefácio à obra “OLIVEIRA, Sheila da Costa e MAGALHÃES, Maria Carmem Côrtes (organizadoras). Histórias de Vida: Patrimônio Imaterial da UCB. Volume 2. Coleção Memohist. Brasília, Ed. Universa, 2012″.

Organizações são sistemas vivos, dinâmicos, criados e forjados nas relações sociais e comunicacionais, em constante fluxo e transformação. São espaços ao mesmo tempo de convivência e de oposição de diferenças, construídos ora na dinâmica da colaboração ora nos enfrentamentos competitivos. São instâncias políticas, dialéticas e dialógicas. É pelas conversações, pelos processos de negociação e de decisão que constroem seu ethos, sua identidade, sua cultura, suas crenças e seus valores.

Ainda que, nas origens, fundadores tenham planejado o percurso, ainda que tenham imprimido as marcas e os carismas orientadores de sua caminhada, é no trilhar dos passos, é nos processos diuturnos de escolha entre alternativas de ação e do próprio agir, que as organizações marcam sua presença no tempo e no espaço.

Sob essa visão, é compreensível que pensemos na improbabilidade de observar, identificar, captar, registrar e compartilhar os elementos constitutivos das trajetórias organizacionais. É até mesmo justificável que muitos abandonem ou sequer enfrentem o desafio de desvendar como foram sendo consolidadas suas práticas e seus pontos de referência.

(…)

Normalmente, o tratamento dado à história empresarial é moldado pelos filtros do discurso institucional, que mais ocultam do que revelam, ao privilegiar o simples registro das efemérides e ao tratar os protagonistas e demais atores e construtores da história como se fossem personagens de um “museu de ceras”, intocáveis, inumanos, como bem relatou Eduardo Galeano (2011) na apresentação de sua clássica trilogia Memória do Fogo, ao se referir ao desconforto provocado pelas aulas de história que frequentou quando jovem. Nesses casos, costumam imperar as análises da empresa a partir da sua evolução econômica e dos empresários como atores econômicos, promotores e geradores das realidades empresariais, merecedores de títulos, bustos e estátuas.

Também se encontram com frequência, em muitos estudos de história empresarial, relatos inconsistentes, que acabam por se afastar da própria história, da verdade, do rigor científico e dos processos de interação disciplinar. Como alerta Sáenz (apud Betancourt Zárate, 2003, p. 201), isso geralmente decorre de “falhas no processo de investigação histórica em razão de estudos superficiais de fontes secundárias, de um reativo desleixo no tratamento dos arquivos, de interpretações supérfluas, de discursos apologéticos, e de reflexões oriundas de interesses grupais, entre outras”.

Outros relatos históricos empresariais enveredam pelo caminho da propaganda pura e simples, exaltadora de feitos e grandes conquistas, incensados pela necessidade de demonstrarem que as empresas ali retratadas têm, além de responsabilidade socioambiental, responsabilidade histórica para com seus públicos de relacionamento.

(…) se diferencia dos tradicionais registros de “história empresarial” para se aproximar das novas concepções de “história organizacional”. Essas abordagens partem do pressuposto de que:

“Toda organização em suas diferentes dimensões, componentes e níveis tem história, mobilidade e significância. O indivíduo como tal (nível individual) tem historicidade; os diferentes grupos configurados no seio da organização como departamentos, seções, grupos formais, grupos informais (nível grupal) têm historicidade; e a organização como um todo tem historicidade. Evocam-se, então, as noções de sistemicidade e sinergia, admitindo que o sistema e seus componentes tenham mobilidade e historicidade; e que podem ser alcançados graus superiores de compreensão quando buscamos conhecer, interpretar e interrelacionar o processo histórico de cada uma das suas partes, avançando até configurações coletivas e sinérgicas (a organização como sistema)” (BETANCOURT ZÁRATE, 2003, p. 206).

A história tratada dessa forma permite outros atalhos ao indivíduo que se relaciona com a organização, “com destaque às referências mnemônicas feitas por meio da expressão oral” (MEIHY, 2010, p.179). Permite ainda o acesso a narrativas individuais, sociais ou organizacionais estruturadas a partir de memórias relacionais, que por si só são seletivas dentre boas e más experiências desenvolvidas (NASSAR, 2008, p.111-112, apud COGO, 2011). Essa riqueza trazida pela diversidade de olhares e expressões pode contribuir para a construção de sentido, de tal forma que se reforcem o sentimento de pertencimento e as ações humanísticas das organizações, além de sustentar os novos enfoques administrativos baseados na gestão do conhecimento, do capital intelectual e da reputação acumulada por uma organização.

Referências bibliográficas:

BETANCOURT ZÁRATE, Gilberto. De la história empresarial a la história organizacional: In: Innovar. Revista de Ciencias Administrativas y Sociales, julio-diciembre, número 022, Bogotá, Universidad Nacional de Colômbia, pp. 199-210, 2003.

COGO, Rodrigo Silveira. A elaboração discursiva da memória organizacional: estudando o storytelling. In: ComTempo: Revista Eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, Volume nº 2, Ano 3 – Dezembro, 2011.

GALEANO, Eduardo. Memória do Fogo – Nascimentos. Viana do Castelo: Livros de Areia Editores, 2011.

MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Memória, história oral e história. Oralidades, In: Revista do Núcleo de Estudos em História Oral da USP, São Paulo, USP, n.8, p.179-191, julho/dezembro de 2010.

NASSAR, Paulo. Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no atualização da memória institucional das organizações. 2.ed. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2008.

O que é comunicação organizacional?

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Teorias | sexta-feira, maio 20th, 2016

Esse vídeo foi produzido pelo professor Matt Koschmann, do Departamento de Comunicação da Universidade do Colorado Boulder, para servir de introdução ao campo da comunicação organizacional

A gestão comunicacional vista como processo

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Teorias | segunda-feira, fevereiro 15th, 2016


Etimologicamente, a palavra processo se origina no termo latino processus que, por sua vez, remete a procedere, que seria a ação de proceder, prosseguir, em busca de um objetivo, de uma finalidade. No campo de gestão, processo pode ser definido como uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, e com inputs e outputs claramente identificados numa espécie de estrutura para ação pela qual uma organização faz o necessário para produzir valor para seus clientes (DAVENPORT, 1994). Em oposição, David Berlo (2003) nos alerta que processo não tem necessariamente um começo e um fim, nem se caracterizaria por uma sequência fixa de eventos. Não é, portanto, estático, parado. Ao contrário, é móvel. Cada ingrediente de um processo afeta todos os demais.

Nesse sentido, a gestão comunicacional também pode ser compreendida como processo a partir da tese de que é uma sequência de tarefas (ou atividades) que, ao serem executadas, transformam insumos e recursos, discursos, falas, expressões intencionais e planejadas em resultados com valor agregado às organizações. Mas é também um fenômeno em contínua mudança, em fluxo e transformação constantes, marcado por ciclos criativos e cocriativos incrementados nos relacionamentos com os públicos. Nessa visão, acontecimentos e relações nos contextos comunicacionais são dinâmicos, sempre em evolução, quer percebamos ou não tais movimentos (CURVELLO, 2009).

A gestão comunicacional orientada por processos pode se basear na simples divisão de tarefas e responsabilidades, no sequenciamento de atividades, tal qual preveem os modelos funcionais burocráticos. Entretanto, desde meados dos anos 1980, no Brasil, há uma tendência crescente nas organizações em seguir os preceitos da comunicação integrada, que une filosoficamente os sistemas de comunicação institucional, mercadológica, motivacional e administrativa na busca da coerência discursiva e expressiva. Sob essa perspectiva, a gestão por processos consiste em planejar a partir de visão estratégica, fomentar políticas, diretrizes, programas, projetos e ações de aproximação e de integração, gerenciar funções operacionais como a produção e circulação de informação, por meio de veículos e eventos segmentados, compreender como funcionam as redes de relacionamentos que emergem entre organizações, sistemas e públicos, criar e recriar coletivamente sistemas de interação e de compartilhamento de informações em todos os níveis, além de permanentemente avaliar os fluxos e os resultados.

Referências:

BERLO, David K. O Processo da Comunicação. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

CURVELLO, João José Azevedo. A Comunicação Organizacional como fenômeno, como processo e como sistema. In: Organicom (USP), v. 10/11, p. 109-114, São Paulo: Abrapcorp, 2009.

DAVENPORT, T. H. Reengenharia de processos. Rio de Janeiro: Campus, 1994.

Planejamento e gestão da comunicação na era das mídias sociais

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Reflexões,Teorias | sexta-feira, janeiro 15th, 2016


O recurso ao planejamento é a resposta da área de gestão diante da complexidade e da incerteza de cenários sabidamente mutáveis. Com a recomendação de que todo plano deve se alinhar à estratégia, a lógica do planejamento migrou também para o contexto da comunicação organizacional, a partir da ação de gestores preferencialmente com visão sistêmica, política e processual. Autores como Margarida Kunsch, Rafael Pérez e Thierry Libaert preceituam que as organizações só conseguirão se posicionar e se efetivar nos mercados e/ou espaços em que atuam mediante a aplicação e condução das várias fases do planejamento: pesquisa e análise de cenários externos e internos; briefing; diagnóstico; identificação de riscos e oportunidades, forças e fraquezas; eleição de objetivos; priorização de públicos, objetivos, metas e ações; implantação; controle; avaliação de resultados. Todas etapas essenciais para minimizar a improbabilidade da comunicação.

No entanto, a lógica que orienta o planejamento sempre esteve mais apropriada a contextos previsíveis, desde uma perspectiva linear e sequencial. Acontece que esses cenários se complexificam exponencialmente, sobretudo com o incremento das tecnologias da informação e da comunicação, responsáveis pelo Manuel Castells denomina de capitalismo informacional. Dentre essas tecnologias, uma em particular representou uma mudança radical ao permitir o empoderamento de clientes, fornecedores, funcionários, cidadãos. Trata-se da denominada “mídia social” que, embalada na chamada Web 2.0, viabilizou a aproximação e a agregação de pessoas, de forma a tornar visíveis redes sociais antes restritas pelos limites de tempo e espaço. Redes que se conectam a outras redes e que fazem da informação uma espécie de “commodity” pública, por permitir acesso, distribuição, compartilhamento, alcance multiplicado e aceleração do tempo de respostas. Nas redes, aqui percebidas como conexão de atores humanos e não-humanos, tal como preconizam Michel Callon e Bruno Latour, a lógica e a dinâmica é a dos relacionamentos, mais do que a disseminação de informação de forma controlada e livre de ruídos, o que provocou uma espécie de descentramento das organizações. Esse descentramento obriga as organizações a se rearticularem e reprogramarem para atender as demandas sociais por transparência, responsabilidade e sustentabilidade.

Uma das consequências é que, hoje, as organizações montam estruturas de inteligência competitiva para monitorar falas, movimentos, imagem e reputação. Com o uso de técnicas como “mediawatching”, monitoramento e gestão de redes sociais, gestão de “big data”, aperfeiçoam seus sistemas de diagnóstico. Esse processo se revela essencial para que as organizações tenham condições de atuar simbólica e concretamente nas diversas e múltiplas esferas públicas que se expressam nas diferentes mídias e que se constituem, muitas vezes, à revelia das instituições (vide o estudo de Elizabeth Breese sobre as ações de grupos e associações ligadas à causa homossexual, por exemplo).

Esses movimentos têm levado as organizações a investirem menos nos planos e mais na administração estratégica, um sistema de ação que permite adaptar planos, objetivos e ações às contingências ambientais. Os modelos tradicionais migram para formas mais dinâmicas, tal qual organizações efêmeras que montam e desmontam estruturas por demandas e tarefas. Equipes multidisciplinares com competências e habilidades complementares, passam a constituir a característica da maior parte das organizações. O que se busca é a superação das barreiras do entendimento, do acesso e da aceitação para a ação, próprias da improbabilidade da comunicação, como exposto por Niklas Luhmann. Porque mesmo que as mídias sociais se constituam potencialmente em articuladoras de diálogo e participação, o que se vê empiricamente é o fechamento operacional em torno de círculos de amizade e de reforço de laços, que leva à alta densidade de comunicação na rede, mas pouca articulação com outras redes exógenas, porque impera a autorreferencialidade.

Para enfrentar esse desafio, modelos de planejamento e de ação têm sido aplicados em algumas organizações, como o da “pirâmide da qualidade”, de Ed Robertson e divulgado por Shel Holtz. Esse modelo orienta que os planos devem partir do atendimento a critérios logísticos (que permitiria superar a barreira do acesso), de atenção e de pertinência (que visaria construir sentidos compartilhados que facilitassem o entendimento) e de efetividade (que almejaria a decisão, a mudança comportamental, a ação e o reconhecimento). Como complemento, a adoção da chamada “régua da efetividade” de Walter K. Lindemann completaria o ciclo por meio da avaliação permanente de produção, distribuição, acesso, circulação, coerência entre discurso verbalizado e discursos e sentidos emanados da ação, imagem e reputação, mas sobretudo do resultado nos níveis comportamental e atitudinal.

Essas são algumas das possíveis consequências da complexificação trazida pelas TIC e mídias sociais, sobretudo porque afetam práticas e saberes enraizados e levam as organizações e seus gestores para uma arena discursiva em que todos disputam sentidos, visibilidade, aceitação, boa imagem e reputação.

Lançado novo livro do ABRAPCORP 2013

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Pós-Graduação,Reflexões,Teorias | sexta-feira, agosto 15th, 2014

O livro “A pesquisa em Comunicação Organizacional e em Relações Públicas: metodologias entre a tradição e a inovação”, dedicado à temática central do Congresso Abrapcorp 2013 foi publicado em formato ePub pela EDIPUCRS.

O acesso é gratuito e a obra pode ser baixada por este link:

http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/series/abrapcorp/

E-book

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Reflexões,Teorias | segunda-feira, maio 20th, 2013

Você já pode baixar diretamente do site da EDIPUCRS o livro “Teorias e métodos de pesquisa em comunicação organizacional e relações públicas : entre a tradição e a inovação”.

Lançada nova edição de Comunicação Interna e Cultura Organizacional

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Reflexões,Teorias | domingo, março 10th, 2013

Já está disponível a nova edição revista, atualizada e ampliada do nosso livro Comunicação Interna e Cultura Organizacional. Agora em versão e-book, a obra foi editada pela Casa das Musas, de Brasília, e está disponível para download neste endereço:

http://www.acaocomunicativa.pro.br/Livro/LivroComIntCultOrg2012-EBook.pdf

Versões para folhear podem ser acessadas por estes outros links:

http://issuu.com/jjacurvello/docs/livrocomintcultorg2012-ebook

http://www.yumpu.com/pt/document/view/11170897/comunicacao-interna-e-cultura-organizacional

O livro também pode ser lido e baixado pelo Google Livros:

http://books.google.com.br/books?id=wyUagp3GBUUC&lpg=PA4&hl=pt-BR&pg=PA1#v=onepage&q&f=false< \a>

Brasília receberá VII Congresso da Abrapcorp

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Pós-Graduação,Teorias | sábado, fevereiro 16th, 2013


A Universidade Católica de Brasília sediará, de 15 a 17 de maio de 2013, a sétima edição do Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (ABRAPCORP).

O tema central do Congresso é “Teorias e Métodos de Pesquisa em Comunicação Organizacional e Relações Públicas: entre a tradição e a inovação” e o evento contará com as seguintes atividades confirmadas:

Conferência de Abertura: “Tradição e Inovação nos Estudos de Comunicação: o Metadiscurso”, com o Prof. Robert T. Craig (Ph.D.) – University of Colorado Boulder

Painel 1: “Tradição e Inovação na pesquisa acadêmica, nas organizações e na sociedade”, com os profs. Linda Saadaoui (Universidade de Metz) e Luiz Cláudio Martino (UnB)

Painel 2: “O estado da arte das teorias e métodos de pesquisa nos Programas de Pós-Graduação”, com os profs. Margarida Maria Krohling Kunsch (USP), Eugênia Mariano da Rocha Barichello (UFSM), João José azevedo Curvello (UCB) e Esnel José Fagundes (UFMA)

Painel Mercado: “Inovações na pesquisa como ferramenta de produção de conhecimento em organizações”, com Aurora Yasuda (Millward Brown – SP), Diva Maria Tammaro de Oliveira (Recherche – SP) e Rodrigo Toni (Animux – SP)

Mesas temáticas com apresentações dos trabalhos selecionados

Colóquio de grupos de pesquisa em Comunicação Organizacional e em Relações Públicas

Espaço de Iniciação Científica

Oficinas de Pesquisa (para alunos de graduação):
Oficina 1 – Critérios de Avaliação para Projetos de Comunicação
Organizacional e de Relações Públicas – Elizabeth Pazito Brandão (CONFERP)
Oficina 2 – Pesquisa aplicada em Mega Eventos – Ricardo Ferreira Freitas (UERJ)
Oficina 3 – Pesquisa aplicada em Comunicação Organizacional – Rudimar Baldissera (UFRGS)

Mini cursos de Pesquisa (para alunos de pós- graduação)
Minicurso 1 – Os Métodos em Comunicação Organizacional – Cleusa Maria Andrade Scroferneker (PUCRS)
Minicurso 2 – O Discurso da Cultura Organizacional na Perspectiva da Semiótica da Cultura – Luiz Carlos Assis Iasbeck (UCB)
Minicurso 3 – A Auditoria de Mídia para Comunicação Organizacional e Relações Públicas – Wilson da Costa Bueno (UMESP)

Lançamento de Livros com temáticas relacionadas à área

Veja a programação completa:

O link para a inscrição está no hotsite do Congresso: www.abrapcorp2013.com.

Lançado livro “100 anos de McLuhan”

João J. A. Curvello | Convergência Digital,Pós-Graduação,Teorias | segunda-feira, outubro 15th, 2012

Anunciamos o lançamento do livro “100 anos de McLuhan”, organizado por Janara Sousa (UnB), João Curvello (UCB) e Pedro Russi (UnB), editado pela Casa das Musas, com apoio da Capes.

O livro é resultado do debate realizado durante o “Seminário Internacional 100 anos de McLuhan”, nos dias 10 e 11 de novembro de 2011. O evento, financiado pela Capes e pelo Decanato de Pós-Graduação da Universidade de Brasília (UnB), foi organizado pela linha de pesquisa Teorias e Tecnologias da Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação da UnB, e contou com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Católica de Brasília.

A versão digital pode ser baixada na íntegra a partir deste endereço:

http://teoriasetecnologiasdacomunicacao.org/wp-content/uploads/100anosMcLuhan-ebook.pdf

Subjetividade polissêmica

João J. A. Curvello | Comunicação Organizacional,Pós-Graduação,Reflexões,Teorias | sábado, maio 21st, 2011

Imagem15O termo subjetividade é em si polissêmico. A seguir, apresentamos várias visões da subjetividade, a partir de levantamento realizado pelo professor José Amícola, da Universidad Nacional de La Plata, apresentadas durante o VIII Ciclo Posdoctoral del CEA/UNC, em Córdoba, no último dia 13 de maio.

No campo da psicologia

1. Ênfase na ideia de construção do psiquismo
2. O processo de subjetivação ou devir do sujeito
3. As condições de subjetivação (poder – corpo)
4. O complexo de fatores que fazem uma pessoa
5. A soma dos estágios no processo de subjetivação
6. Sinônimo de processo de identidade

No campo dos estudos de gênero

7. A instância de subjetivação a partir de um sistema de gênero com entidades “desejantes”
8. O sentimento subjetivo da sensação de ser sujeito masculino, feminino ou ….
9. O processo de exclusão e inclusão de modelos de gênero (a capacidade de posicionamento masculina e a capacidade de relacionamento feminina)

No campo da filosofia

10. A incapacidade para ser objetivo
11. A condição de ver o mundo desde o próprio sujeito

No campo da história

12. A historicidade dos processos de subjetivação em determinadas sociedades

No campo da sociologia

13. O posicionamento subjetivo dentro da sociedade
14. As representações coletivas como configuradoras da subjetivação

No campo da Política

15. As oposições ao nível de sentimentos coletivos de identidade (no qual uma subjetividade se opõe à outra)

Desde a Comunicação

16. A subjetividade estaria no campo da percepção

Como desafio apresentado pelo professor Amícola, desenvolvi também minha própria definição de subjetividade, originária na interface entre comunicação, cultura e sociedade. Assim, para mim, subjetividade seria o “processo individual e/ou coletivo de subjetivação ativado pela diferenciação entre discursos, percepções, imagens, memórias, crenças e sentidos”.

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